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Riscos ergonômicos: os principais encontrados nas empresas

Fatores observados no ambiente de trabalho e possibilidades de prevenção.

Helmar Aquino - FITE Consultoria

O que são riscos ergonômicos?

A Organização Mundial do Trabalho define ergonomia como "aplicação das ciências biológicas conjuntamente com as ciências da engenharia para lograr o ótimo ajustamento do ser humano ao seu trabalho, e assegurar, simultaneamente, eficiência e bem-estar".

Os riscos ergonômicos surgem quando as condições de trabalho são inadequadas, prejudicando o bem-estar dos colaboradores. Eles interferem nas características psicofisiológicas do trabalhador, podendo provocar incômodos, desconfortos e problemas de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, os riscos ergonômicos envolvem a execução de tarefas, a organização e as relações de trabalho, caracterizando situações como:

  • Esforço físico intenso
  • Levantamento e transporte manual de peso
  • Postura incorreta
  • Exigência de produtividade com pouco tempo
  • Ritmo excessivo de trabalho
  • Jornadas prolongadas
  • Monotonia
  • Repetitividade
  • Situações estressantes

Quais são os riscos ergonômicos? Exemplos

Repetitividade

A repetitividade dos movimentos e atividades laborais pode provocar fadiga e desgaste físico e psicológico, comprometendo o sistema musculoesquelético. Podem surgir tendinites, bursites, lombalgias e dores crônicas na coluna. A maioria desses problemas faz parte das Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

A melhor forma de lidar com esse problema é estabelecer pausas frequentes e praticar ginástica laboral, que ajuda a fortalecer músculos e articulações usados nessa atividade.

Postura inadequada

Uma postura incorreta pode ocasionar lesões, fadiga e enfraquecimento de certas regiões do corpo como pulso, ombros, coluna e região lombar. Isso compromete o sistema osteomuscular, podendo desencadear o surgimento de LER/DORT.

Em ambientes em que é necessário trabalhar sentado, é fundamental que a cadeira dê total sustentação à coluna, garantindo que as pernas fiquem em um ângulo de 90°. Os cotovelos também devem ficar nessa posição, apoiados corretamente na mesa. No caso de trabalho feito em pé, o ideal é que a configuração de todos os móveis leve em consideração a altura e essas necessidades.

Iluminação inadequada

A luminosidade inadequada pode provocar danos aos colaboradores, tanto em níveis excessivos de luz quanto em níveis insuficientes. Essa condição pode desencadear problemas de visão, dores de cabeça, irritação, estresse e maior propensão a acidentes de trabalho.

Um ambiente excessivamente iluminado de maneira natural pode ter níveis de radiação UV muito intensos. Já a falta de iluminação faz com que o ambiente seja quase insalubre, contribuindo para vista cansada.

A NR 17 estabelece parâmetros considerados seguros. A iluminação precisa ser planejada de modo a evitar reflexos ou ofuscamentos. Deve ser difusa — não intensa e direta — e bem distribuída por todo o ambiente.

Ritmo excessivo de trabalho

Mesmo cumprindo a carga horária previamente estabelecida, o colaborador pode ter um ritmo muito intenso de trabalho, precisando atender prazos muito curtos ou assumir uma grande quantidade de tarefas.

Tal situação pode levar ao estresse físico e psicológico, afetando o sistema imunológico. Podem surgir distúrbios e doenças como ansiedade, depressão, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, úlceras e gastrites. Com um ritmo muito intenso, o profissional pode deixar de lado cuidados com a segurança do trabalho, colocando a si mesmo e aos outros em risco físico.

Jornadas de trabalho prolongadas

Quando o trabalhador precisa ultrapassar seu horário de trabalho, fazendo uma jornada de 10 ou 12 horas, por exemplo, está passando por um risco ergonômico.

O esforço mental e/ou físico exagerado pode levar a fadiga, estresse, lesões e surgimento de vários distúrbios. De maneira crônica, as chances são de que ocorra a síndrome de burnout — esgotamento profissional. Isso diminui a produtividade porque compromete a motivação e a capacidade de executar tarefas e solucionar problemas. Estimular o cumprimento de tarefas dentro do horário previamente estabelecido tende a ser a melhor saída.

Monotonia das atividades

Uma atividade laboral muito monótona pode levar o colaborador a desenvolver distúrbios psicológicos, como ansiedade e até mesmo depressão. É uma condição que favorece a desmotivação e o presenteísmo, afetando diretamente a produtividade do trabalhador.

Exemplo de condições assim são tarefas burocráticas ou que exigem atenção minuciosa a detalhes, mas sem realizar grandes mudanças. Para lidar com isso, é relevante buscar uma variabilidade de ações, de modo a diversificar a atuação no trabalho.

Controle rígido de produtividade

O controle excessivo do rendimento do colaborador pode gerar estresse mental e psicológico, comprometendo até mesmo sua produtividade. O colaborador passa a se sentir pressionado constantemente, gerando irritação, desvio de humor, cansaço e insatisfação.

Um exemplo comum desse tipo de situação acontece no setor de telemarketing, onde os agentes de atendimento precisam entregar níveis elevados de resultados. É melhor realizar ações de capacitação, motivação e engajamento do que exagerar no controle de rendimento.

Levantamento e manuseio de cargas

Realizar o levantamento ou a movimentação manual de cargas é uma atividade de risco para a saúde física do colaborador. Quando exercida de maneira incorreta, pode provocar lesões no sistema musculoesquelético.

Podem surgir dores intensas na coluna, na região lombar, nos ombros, nos braços e nos pulsos. O levantamento de cargas de maneira continuamente inadequada também pode provocar a incidência de LER e DORT, conduzindo a afastamentos temporários ou, em casos mais graves, permanentes por incapacidade física.

O colaborador jamais deve ser estimulado a realizar o levantamento de um peso maior do que sua capacidade, e a postura na execução dessa tarefa precisa ser correta, evitando que determinadas regiões da coluna sejam mais exigidas do que outras.

Importância: por que monitorar os riscos ergonômicos?

Cada atividade oferece riscos ergonômicos diferentes para o trabalhador. As empresas precisam observar suas próprias rotinas e processos para identificar essas situações que podem comprometer a integridade dos colaboradores.

O monitoramento dos riscos ergonômicos pode ser feito por meio da Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Com ela, identificam-se as situações perigosas e, com base nisso, estipulam-se quais ações devem ser implementadas para reduzir esses riscos ou eliminá-los por completo.

O monitoramento deve ser contínuo, pois é importante verificar se de fato os riscos estão sob controle ou se são necessárias adequações, além de identificar possíveis novas necessidades e atender mudanças nas normas regulamentadoras ou na legislação.

A NR-1 reforça essa necessidade ao estabelecer que as empresas devem adotar um Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que inclui a identificação, avaliação e controle dos riscos no ambiente de trabalho.

Quais as consequências dos riscos ergonômicos?

A principal consequência negativa que esses riscos oferecem é justamente o comprometimento da integridade da equipe, com maior ocorrência de doenças ocupacionais e problemas psicológicos. A empresa terá um quadro de colaboradores cansados, desmotivados, pouco engajados e pouco produtivos.

Os riscos ergonômicos trazem consequências para a própria organização: a qualidade das entregas fica comprometida, o índice de retrabalho aumenta, podem ocorrer atrasos pelo descumprimento de prazos, entre outros — o que leva a prejuízos financeiros e também à imagem da organização, que fica conhecida por más condições de trabalho e menos interessante para os melhores talentos.

A NR-17 é a norma que estabelece as condições adequadas de trabalho, e a empresa tem a obrigação de seguir o que é estabelecido nela. Recentemente atualizada, a norma passou a incluir diretrizes mais amplas, abordando não apenas os aspectos físicos, mas também os fatores psicossociais que impactam a saúde mental dos trabalhadores.

Não observar os riscos ergonômicos traz consequências, podendo ser motivo para multas, indenizações, ações civis e reclamatórias e aumento de alíquotas. A empresa pode até mesmo ser interditada e os responsáveis responderem em esfera criminal.

O que são doenças ergonômicas?

Doenças ergonômicas são aquelas causadas pela execução inadequada de atividades. Podem ser resultado de movimentos repetitivos sem pausa, carregamento de peso com postura incorreta e exposição a agentes nocivos no ambiente de trabalho, por exemplo.

Problemas de saúde como LER e DORT, dor nas costas e até mesmo problemas de saúde mental, como o burnout, são considerados doenças ergonômicas.

Como evitar riscos ergonômicos?

Para evitar os riscos ergonômicos, o ideal seria que, mesmo antes do início das operações de uma empresa, ela já estivesse atenta àquilo que diz a NR 17 para proporcionar boas condições de trabalho para sua equipe.

O planejamento deve acontecer para que possam ser previstas todas as situações de risco físico e mental. Dessa forma, podem ser desenvolvidas as ações e políticas que vão complementar as medidas de segurança e ergonomia, a fim de proteger a integridade do colaborador independentemente da atividade que ele vai realizar.

Contar com o suporte de uma empresa especialista no assunto é uma excelente estratégia para que esses riscos possam ser evitados desde o começo das operações. Ainda que a empresa já esteja atuando, vale buscar essa parceria para que as adequações sejam realizadas antes que resultem em consequências negativas.

Solução e prevenção dos riscos ergonômicos

Já que os riscos ergonômicos comprometem seriamente a saúde do colaborador, prejudicam seu desempenho e toda a cadeia produtiva da empresa, evitá-los e preveni-los é fundamental.

O Ministério do Trabalho e Emprego, junto a entidades e associações trabalhistas, criou uma série de normas que devem ser seguidas pelas empresas para proteger a saúde do trabalhador, entre elas a NR-17, norma regulamentadora específica para a ergonomia.

Ela visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

A NR-1 reforça a necessidade de um gerenciamento estruturado dos riscos ergonômicos. Para se adequar a essa norma, as empresas devem implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que inclui a identificação, avaliação e controle dos riscos ergonômicos. Isso significa:

  • Realizar a análise ergonômica preliminar, considerando as atividades e os postos de trabalho
  • Incluir os riscos ergonômicos no inventário de riscos ocupacionais do PGR
  • Estabelecer medidas preventivas e corretivas
  • Garantir que a ergonomia seja um critério essencial no planejamento do ambiente corporativo

Análise Ergonômica do Trabalho

A AET tem como finalidade analisar os riscos ergonômicos do posto de trabalho e propor soluções para reduzir ou extinguir o risco existente, propiciando melhores condições do ambiente de trabalho e uma melhor realização das tarefas laborais.

Entre as soluções possíveis, pode-se destacar a promoção de atividades para melhorar a saúde física e psicológica dos colaboradores, como a ginástica laboral.

É muito importante porque ajuda a empresa a ter uma visão completa de quais são todos os riscos envolvidos na execução das atividades. Assim, eles podem ser mitigados ou eliminados de maneira satisfatória e segura para a saúde dos trabalhadores. Sem ela, a atuação na ergonomia é apenas parcial, já que o negócio não tem certeza sobre quais são, de fato, os riscos ergonômicos existentes nos locais de trabalho.

Ginástica laboral

A ginástica laboral atua como uma grande aliada da ergonomia nas empresas. Contribui diretamente para que o trabalhador obtenha as condições físicas e psicológicas necessárias para a execução de suas tarefas.

Os exercícios têm como base os movimentos dos trabalhadores no seu dia a dia. Assim, eles melhoram a postura e a capacidade muscular. Com uma vida mais ativa, é possível melhorar também o foco e a disposição.

É fundamental que a empresa ofereça momentos em que o colaborador possa executar esses exercícios. É muito comum, por exemplo, que essa ginástica seja feita em grupo e em momentos de pausa. Além de ajudar na proteção do organismo, é uma forma de estimular a socialização.

Outra forma de minimizar os riscos ergonômicos é promovendo o tema na SIPAT. Além de ser uma exigência legal, a ergonomia pode ser considerada uma estratégia efetiva para o aumento de produtividade e a redução dos índices de absenteísmo, afastamentos e acidentes de trabalho.

Quando os riscos ergonômicos são minimizados ou extintos, o colaborador tem condições adequadas e confortáveis para exercer suas atividades laborais. Assim, fica mais motivado, seguro e apto a produzir mais e melhor.

Aplicação prática

Identifique e reduza os riscos ergonômicos da sua operação.

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